sexta-feira, 7 de novembro de 2008

espelhos

18-8

um destes dias, no parque de estacionamento de um hiper da zona, assisti à entrada de uma família num carro: filha cabisbaixa e calada, filho em birra e pranto, avó meio constrangida e mãe zangada. a avó pedia ao neto: filho, porta-te bem, que se a tua mãe te ouve manda-te para o teu pai! acto contínuo, a mãe faz essa mesma ameaça ao filho. ele chora ainda mais. a mãe bate-lhe na boca enquanto lhe põe o cinto. ele implora não me mandes para o pai, mãe! esta, de costas para mim, (que amamentava a F. dentro do meu carro), vociferava ameaças incompreensíveis em tom baixo e agressivo. bateu com a porta e sentou-se no lugar do condutor. ligou o telemóvel e pareceu-me "ler" a seguinte conversa nos lábios desta mãe: está? estás em casa? o teu filho portou-se mal. não estou para o aturar. vou-to levar depois de jantar. tchau. fim de conversa. o miúdo continuava a suplicar à mãe que não o levasse. a mãe arrancou e ia atropelando um peão que seguia em direcção ao seu próprio carro, parado mais à frente.
reflexão 1: uma criança que tem tanto pavor de ficar junto de um progenitor, não terá razão para tal? e o outro progenitor não devia tentar protegê-la?
reflexão 2: porque permitimos que a nossa zanga se agigante de tal forma que nos impeça de proteger quem mais amamos - ao contrário, parece fazer deles as suas vítimas preferidas!
reflexão 3: e então tu, mamã chicharrinha, como tens protegido as tuas chicharrinhas da tua zanga contigo mesma e com o gajo?
reflexão 4: há espelhos que nos chegam de cada forma!
reflexão 5: ai de ti, chicharrinha, se algum dia fazeres uma figura triste destas com as tuas crias! ralhar, exigir e educar não é ignorar sofrimento!

1 comentário:

Maria disse...

Mais grave do que ignorar o sofrimento, é o tipo de ameaça!!!
Desculpa, caí aqui de paraquedas e fiquei em choque com esta descrição...